Três fatores para o sucesso do plantio mecanizado da cana

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Dib Nunes Jr.

CEO em Grupo IDEA
Engenheiro agrônomo, fundador do Grupo IDEA, tem paixão por ensinar e disseminar conhecimentos sobre diversas áreas de produção da cana-de-açúcar. Também é um observador do mercado e um eterno crítico do governo.

O plantio mecanizado de cana é uma realidade no campo, pois hoje, cerca de 75% da cana é plantada com máquinas.

Porém, para que a operação de mecanização tenha sucesso, é imprescindível que a atividade seja planejada com critérios técnicos adequados a cada situação. Veja a seguir os comentários sobre 3 fatores indispensáveis para assegurar que o plantio mecanizado de cana tenha os melhores resultados possíveis.

1. Mão de obra qualificada

Para que as operações em campo possam ser executadas corretamente, os operadores devem estar bem informados sobre o funcionamento das máquinas e suas regulagens, o que eles devem realizar e em que nível de qualidade.

Assim, é muito importante que os produtores invistam na capacitação técnica e operacional de sua mão de obra envolvida com o plantio mecanizado, seja de mecânicos, operadores de máquinas e o pessoal dos serviços de campo para a execução das tarefas de apoio pois, de nada adianta dispor de excelente maquinário, se não fizer bom uso dele.

Dessa maneira, você estará assegurando bons níveis de performance no momento do plantio e maximizando as chances de sucesso.

2. Planejamento antecipado

Hoje, o Brasil passa por transformações no modo de gerenciar as propriedades e empresas rurais. O planejamento do plantio deve ser criteriosamente executado, desde o projeto de sistematização da área, marcação antecipada das linhas de sulcação para serem riscadas no terreno com uso do piloto automático, passando pela retirada cuidadosa de mudas e do plantio no momento adequado. Todas estas etapas têm técnicas próprias e tudo passa pelo planejamento.

As áreas que serão plantadas podem ser definidas com até dois anos de antecedência sendo que no momento da reforma tudo tem que estar em seu lugar. A data de liberação da área para iniciar o preparo do solo é fundamental. Não se deve deixar para preparar o solo na véspera do plantio, pois os riscos de apresentar “pé de grade”, torrões e compactação de solo é muito grande e pode prejudicar a brotação das mudas de cana. O melhor período para plantio de cana deve ser respeitado, caso contrario as chances de falhas aumentam consideravelmente.

Quando há tempo hábil, deve-se realizar um verdadeiro projeto de engenharia na área, plotando curvas, estradas, carreadores, pátios de transbordo e terraços de contenção das águas das fluviais e principalmente o fluxo de máquinas e caminhões. Para tanto, utiliza-se de recursos do AUTOCAD e de imagens feitas por satélite ou Vants.

O planejamento precisa ainda prever:

A quantidade de equipamentos necessários para dar conta do plantio em seu melhor momento;

O cálculo da quantidade de insumos necessários para todo o plantio, desde o momento do preparo, passando pelo plantio em si e, finalmente, dos tratos culturais complementares após o plantio;

– Provisionar equipamentos para atividades de apoio;

Quantidade de mão de obra especializada para cumprir as tarefas, tais como: mecânicos, operadores de máquinas, motoristas, etc. Para isso, planeje as contratações com antecedência;

A melhor época de plantio para não forçar a sulcação em solos muito secos e principalmente nos muito encharcados.

A partir deste planejamento, é possível elaborar o orçamento anual destinado ao plantio de cana-de-açúcar.

Em cada caso, haverá especificidades que devem ser levadas em conta no planejamento. Por exemplo, podem haver áreas no interior da propriedade que têm relevos acentuados, enquanto outras serão planas. Com isso, deve-se realizar o planejamento para cada área separadamente, para que não haja perdas e prejuízos por causa de surpresas no momento da execução do plantio mecanizado de cana.

3. Cuidados no plantio

A primeira etapa desta fase é, sem dúvida, muito importante, pois refere-se à retirada das mudas com as colhedoras que devem ser preparadas e revestidas nas partes vivas, para evitar danos às mudas.

A troca frequente de elementos cortantes também é fundamental. Não deve-se insistir no corte de mudas quando as mesmas começam a apresentar lascas e rachaduras. Os facões síncronos e cortadores de base devem ser constantemente inspecionados e trocados quando as mudas começarem a apresentar os primeiros problemas.

Durante o plantio, é importante também atentar-se para não exceder a velocidade de 3 a 3,5 km/hora para evitar estragos ainda maiores. O desponte da muda deve ser muito alto para evitar a perda de gemas sadias com ótimo poder germinativo.

Em seguida, as mudas serão transbordadas dos caminhões para as plantadoras na operação de abastecimento. Esta operação, por sua vez, deve ser bem sincronizada, de acordo com o “tiro” do talhão. O abastecimento precisa ser uma operação rápida e de complementação da carga antes dela zerar. Assim, deve-se esperar as plantadoras saírem e os caminhões de mudas irem a seu encontro nos carreadores.

As plantadoras atualmente são automatizadas para calibrar e uniformizar a dosagem de mudas nos sulcos, que as plantadoras abrem colocando o adubo, os defensivos contra pragas e até o calcário complementar. A cobrição é automática é outro ponto de atenção, pois sua operação é extremamente delicada, uma vez que o excesso de terra impede a germinação.

Atualmente as plantadoras estão sendo equipadas com kits de sulcação trapezoidal, rotativas para destorroamento, subsolador e cobridor que mantem uniforme a quantidade de terra desejável.

Para saber mais sobre o plantio mecanizado da cana-de-açúcar, as melhores práticas adotadas por grandes grupos e as novidades dos fabricantes de máquinas e equipamentos, participe do Seminário de Mecanização e Produção de Cana de Açúcar. Em 2019 o evento, que está em sua 21ª edição, acontece nos dias 27 e 28, no Centro de Eventos Taiwan, em Ribeirão Preto.

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