Biodiesel e etanol exigirão expansão da capacidade; diesel verde e SAF concentram os maiores desafios
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) sugeriu o desenvolvimento de uma política de comércio exterior específica para os biocombustíveis no estudo Combustíveis no Brasil: análise do mercado e perspectivas para a descarbonização, divulgado nesta quarta-feira (28/10).
O trabalho analisa os desafios para conciliar a transição energética com a segurança do abastecimento e a competitividade da indústria nacional.
A entidade considera que essa política deveria facilitar importações em situações de insuficiência da produção doméstica, além de permitir instrumentos excepcionais e temporários de gestão das exportações em cenários de estresse de oferta ou de preços.
Ao mesmo tempo, aponta que será preciso expandir a capacidade produtiva das indústrias de biodiesel e etanol, uma vez que o aumento progressivo das misturas com diesel e gasolina, respectivamente, elevará a demanda pelos dois biocombustíveis.
Segundo a Lei do Combustível do Futuro, a gasolina pode chegar a ter 35% de etanol (E35), e o diesel, a ter 25% de biodiesel (B25). Atualmente, a mistura obrigatória é de 32% e 15%, respectivamente.
De acordo com a CNI, misturas superiores a 20% de biodiesel exigirão investimentos adicionais e poderão aumentar o risco de restrições de oferta caso a produção não avance no ritmo necessário.
No caso do etanol, a produção efetiva está sujeita à sazonalidade, à disponibilidade de matéria-prima e à concorrência entre a fabricação de açúcar e a de etanol, o que complexifica a continuidade da oferta.
O trabalho estima que o consumo do biodiesel poderá alcançar 18 bilhões de litros em 2035, enquanto no etanol a demanda projetada chega a 46 bilhões de litros no período, impulsionada tanto pelo aumento do anidro na gasolina quanto pelo consumo de etanol hidratado.
Diesel verde e SAF são dois desafios
Para a entidade, os maiores desafios estão concentrados no diesel verde e no Combustível Sustentável de Aviação (SAF), considerados mercados emergentes.
A possibilidade de mistura de até 3% de diesel verde representa uma demanda potencial de aproximadamente 2,5 bilhões de litros em 2035, que o país ainda não consegue atender.
A CNI defende que a expansão dependerá de investimentos em novas plantas industriais, matérias-primas e infraestrutura, além da disponibilidade de hidrogênio de baixo carbono.
Já o SAF precisa de ampliar a produção, segundo a entidade. O decreto do biocombustível foi publicado em agosto deste ano e institui o Programa Nacional de Certificação do Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), obrigatório a partir de 2027.
A confederação considera que serão necessárias políticas capazes de reduzir riscos, viabilizar investimentos de longo prazo e estimular a formação de fornecedores e competências tecnológicas no país, tanto para o SAF quanto para o diesel verde.
O estudo também recomenda a criação de um Comitê Permanente de Monitoramento de Biocombustíveis, para acompanhar projetos, capacidade efetiva de produção, disponibilidade de matérias-primas e riscos de abastecimento, além de subsidiar ajustes graduais nas metas e nos mandatos conforme a evolução da oferta.
“A expansão dos biocombustíveis representa uma oportunidade estratégica para o país, mas sua consolidação dependerá da capacidade de coordenar políticas de demanda e oferta, investimentos produtivos, infraestrutura, financiamento e desenvolvimento tecnológico”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban, em nota.
Por Lorena Marcelino
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