Eleições Podem Redefinir as Perspectivas para o Etanol
As próximas eleições de meio de mandato nos EUA que ocorrerão no dia 3 de novembro e a recente eleição de um novo presidente no Brasil podem ser um indício de que o mercado global de etanol está prestes a ter um impulso significativo.
Nos Estados Unidos, a projeção é que os democratas conquistem a maioria na Câmara dos Representantes, substituindo diversos republicanos fortemente alinhados ao setor petrolífero — os quais têm representado um obstáculo à adoção da disponibilidade de E15 durante todo o ano.
No Brasil, a recente eleição do presidente Luiz Inácio (Lula) da Silva significa que o país terá um líder com um forte histórico de apoio ao etanol como elemento-chave da política energética nacional.
Por exemplo, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) do Brasil, sob a liderança de Lula, elevou temporariamente a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina comum de 30% para 32% (E32), a partir de agosto de 2026, com o objetivo de reduzir as importações de gasolina em cerca de 900 milhões de litros por ano.

Obs.: Compilado de dados do governo brasileiro e da UNICA.
Também sob o governo Lula, foi aprovado o início de testes de viabilidade para a mistura E35 sob a lei brasileira “Combustível do Futuro”.
Fontes informam que Lula assinou medidas emergenciais que reduzem ou eliminam impostos federais sobre a gasolina e o etanol, visando proteger os consumidores nos postos. Além disso, Lula impulsionou um projeto inovador envolvendo a Força Aérea Brasileira e o ITA, para desenvolver a primeira turbina do mundo movida 100% a etanol, destinada a drones — tanto militares quanto civis — e a pequenas aeronaves.
Disponibilidade de E15 Durante Todo o Ano Permanece Incerta
Nos EUA, as eleições de meio de mandato determinarão o controle do Congresso e poderão redefinir políticas federais que afetam produtores de energia, como os fabricantes de etanol. Caso os democratas conquistem o controle, eles buscarão implementar uma supervisão mais rigorosa sobre as decisões de órgãos governamentais relacionadas à produção e distribuição de energia.
Caso os republicanos mantenham sua maioria no Congresso, os republicanos no Senado continuarão a pressionar pela inclusão de disposições referentes ao etanol E15 nas negociações mais amplas da lei agrícola de 2026. Delegações de estados agrícolas, como as de Dakota do Sul e Nebraska, fizeram a aprovação do E15 uma prioridade central no decorrer das discussões sobre a lei agrícola.
No dia 13 de maio de 2026, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou uma medida para permitir o E15 em todo o país, através de uma alteração na Lei do Ar Limpo (Clean Air Act).

A votação ultrapassou as divisões partidárias tradicionais. Parlamentares de estados que são grandes produtores de milho e etanol — incluindo Iowa, Illinois, Nebraska e Minnesota — apoiaram a medida, independente do partido, com o objetivo de fortalecer a agricultura local e reduzir o preço nos postos de combustíveis. Por outro lado, a proposta enfrentou a oposição de certos republicanos defensores do livre mercado — os Freedom Caucus — e de refinarias de petróleo, preocupados com os custos de conformidade.
Eleições Estaduais Também Colocam o E15 em Evidência
A política de etanol e a responsabilidade corporativa também surgiram como temas em disputas estaduais.
Em um comício político recente, o presidente Donald Trump anunciou USD 8 bilhões em auxílio a produtores que enfrentam dificuldades devido ao preço elevado do diesel, enquanto também condicionou seu apoio ao aumento do teor de etanol na gasolina — medida que beneficia os produtores de milho do Meio-Oeste — à reeleição do senador pelo Kansas, Roger Marshall.
“Com Roger Marshall no Senado, tornaremos permanente a disponibilidade de E15 durante todo o ano. Mas, se Adam Hamilton (oponente de Marshall) for eleito, não farei isso”, disse Trump.
“É isso. Só farei isso por ele”.
Em Illinois, o deputado Eric Sorensen afirmou que a aprovação do uso de E15 em todo o país, durante todo o ano, ajudaria a reduzir o preço nas bombas de combustível, ao mesmo tempo em que diminuiria as despesas operacionais dos produtores. “Aumentar o teor de etanol pode reduzir os custos em cerca de 30 centavos por galão. Além de economizarmos dinheiro, isso também ajuda nossos produtores de milho. É algo benéfico para todos no estado”, disse Sorensen.

Fonte: EIA – via CZAPP
